
Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia.
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia.
Eugénio de Andrade
16 comentários:
Abril do snho? ou Abril do porvir?
Muito belo.
Bj.
casa que fosse areal. ou brisa do Tejo...
muito belo.
Olá querida Laura, lindo poema...
Parabéns pela escolha!
Beijinhos de carinho,
Fernandinha
Plantarei uma flor na minha janela
Para se abrir o aroma ao ar puro da manhã
Pintarei depois um poema por entre cada luz mais amarela
Do sol que nos entra na alma, para nos garantir a mente sã
Pedirei paz, na inquietação do acordar
Olhos de água por amor em fonte pura
Salvarei todas as memórias só por as pensar
Que da minha arvore, só a raiz perdura...
...só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos...
Eu quero "um destes" pra mim!
Beijos e um belo fim de semana pra ti!!
(Re)Ler Eugénio de Andrade é sempre um prazer incontido!...
(as criteriosas escolhas, aqui, são excelentes; haja a justiça às fotografias que as acompanham e que revelam, também, um apreciável sentido estético)
abraços
a possível pele quente
dos lugares
Olá querida Laura, um bom fim de semana...
Doa dias que passam,
as horas vividas,
são laços que abraçam,
as almas queridas.
Beijinhos de carinho,
Fernandinha
“Ou uma morada
que fosse uma praia desabitada;
que nem morada fosse;
só um sítio aquecido,
rodeado de alacridade;
um propósito:
prosperar como árvore,
sentir a floração dos ramos,
que de novo vibram
com o inesperado canto da calandra”.
Beijinho
a casa, refúgio e prisão. sinto isso mesmo, também a esperança.
um belo poema num belo post.
não sei porque mas "cheira" a primavera....!
beijinho
Gosto de muito deste poema!especialmente por ser filha de Abril.
bjo
Um lugar assim, dentro de nós. Facilmente transportável.
Ainda bem que o nosso querido poeta não pode ver a "sua" casa, abandonada e de olhos vazios...
Abandonada ao vento do Douro, domadas as palmeiras e as paixões de Abril.
Lindo, A., o tema, a fotografia.
Bjinho
A melhor definição para lar. Quanto à fotografia, lembra-me um portal para uma vida radiante.
Um beijo!
Um poema bonito , tocante.
Beijito.
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