
Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão
com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,
como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o
nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.
Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.
Maria do Rosário Pedreira
Sei o nome que dizes ter. Queria guardar o nome do interior de ti.
14 comentários:
"O nome do interior de ti". Tudo o mais - excessos.
Hoje , por cada lado que passo recebo de presente algo que não conhecia. Sabe bem.
Soube-me bem também aqui.
Um beijinho , resto de um bom dia
sei um nome que inventei.
nada tem a ver contigo.
muito belo..laura!:)
beijO
Parabéns, gostei muito. ~
beijos
belo e belo. duplamente...
nomeamos o que queremos guardar...
Belíssimo!
Obrigado pelo trilho que foi aberto.
Maria do Rosário Pedreira.
Gostei dos excertos que li.
Deste em especial:
“Talvez os olhos estivessem apenas desatentos sobre o livro;
talvez as histórias se repitam mesmo, como as tardes passadas
no terraço, longe de casa. Aqui tenho sonhos que não conto a ninguém.”
Vou ler! »» “A casa e o cheiro dos livros”
:)
Eu não conhecia este poema belissimo.
bjinho e bfs
Um nome, um homem...uma contardição...
Um mágnifico texto de superior intelectualidade...
Doce beijo
Excelente poema!
Gostei, francamente.
Bom fim de semana
um nome é apenas isso mesmo. um ser é o todo. um beijinho
Alice??? Agora moras aqui :))
A frase final é esplêndida. :)
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