
Nas manhãs de Inverno
o homem transpunha a porta
e, sob a asa negra do guarda-chuva,
transportava a solidão.
No comboio,
ela entrava de roldão
e em cada rosto se estampava;
no trabalho,
por onde passeasse a sua vida morta,
a solidão medrava.
À noite, apenas regressado,
fechava a asa,
e deixava de novo a solidão
à solta,
pela casa.
o homem transpunha a porta
e, sob a asa negra do guarda-chuva,
transportava a solidão.
No comboio,
ela entrava de roldão
e em cada rosto se estampava;
no trabalho,
por onde passeasse a sua vida morta,
a solidão medrava.
À noite, apenas regressado,
fechava a asa,
e deixava de novo a solidão
à solta,
pela casa.
Manuel Filipe, in Nas Palmas da Noite
13 comentários:
E a rotina do dia humano tão longo e tão desumano, por vezes.
Navega-se no interno do homem e não se muda a hora dos sentimentos.
Insistimos em sermos sempre o mesmo, negligenciado pelo tempo e pelo clima da hora.
Abraços, Maria.
Aparece...
Germano
Canto nos acompanha o guarda-chuva...
Beijosss Maria Laura
:)
gruda-se na pele. por vezes. tal solidão...
beijos
pois.
não se podem fechar as asas
por vezes só
mas nunca isolado
quee liindoo esse poemaa *-----*
taao perfeitoo xd
http://imensidadx3.blogspot.com/
o guarda chuva lembra-me a tristeza do inverno
beijos
A solidão é uma tipa de sorte. Anda tanta gente com ela debaixo do braço, dorme com ela e até se passeia com ela no meio da multidão..
Diria até que à solidão não falta companhia...
Gostei do poema, mas nao sei quem é o Manuel Filipe (ignorante que eu sou... ou não me lembro porque estou cheio de sono...).
Obrigado pela partilha.
Beijinhos.
como um enorme
passaro...
[ onde estou nao usam acentos...:)
~
a solidão como companhia
Belo; a propósito; da solidão e da fotografia.
Bj
Belíssimo. Tudo! (Se calhar até a solidão o será, porque inspira quem dela sofre.)
A solidão , como única companhia.
Beijito.
Bom fim de semana.
que lindo, maria laura...
obrigada por (mais) esta partilha.
..
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